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Por Daniel Carvalho, Diretor da Escola Piauiense de Trânsito

Quando o sistema Inthegra foi anunciado em Teresina, a esperança de um transporte público eficiente e moderno iluminou o rosto dos seus moradores. Prometido como a solução definitiva para os desafios de mobilidade urbana na capital piauiense, o projeto deveria interligar os bairros mais distantes ao centro da cidade através de nove corredores com faixas exclusivas, culminando em oito terminais estratégicos. Contudo, o que se observa hoje é um cenário de abandono e desilusão.

A construção dos terminais, inicialmente recebida com entusiasmo, logo se transformou em símbolo de desperdício. Embora tenham servido brevemente como centros de vacinação contra a COVID-19, essas estruturas hoje estão relegadas à inutilidade. Lançados em 2018 com grande fanfarra, os terminais, como o Terminal Livramento, agora estão entregues à erosão do tempo e do descaso.

Basta visitar qualquer um dos terminais para que se perceba um quadro desolador: mobiliário ainda novo deteriorando-se sob o sol e a chuva, vegetação invasiva dominando o espaço, e infraestruturas como calçadas e escadas tornando-se perigosas pela falta de manutenção. No Terminal Zoobotânico, como de resto em todos, a natureza reclama seu espaço entre paredes e grades, enquanto cadeiras novas se rendem à deterioração, e placas desbotadas tentam inibir um comércio ambulante que nunca chegou a existir.

Além do evidente desperdício de recursos públicos, estimado em quase R$ 650 milhões com valores atualizados, a desintegração do sistema Inthegra trouxe consequências severas para a população. O aumento nos índices de acidentes de trânsito é apenas uma das faces visíveis desse colapso. A presença de guardas municipais vigiando essas ruínas modernas é um lembrete sombrio da distância entre as promessas de campanha e a realidade enfrentada pelos cidadãos.

Entre a Promessa e a Realidade

A trajetória do sistema Inthegra em Teresina é um lembrete doloroso da brecha que muitas vezes existe entre a retórica política e a implementação prática de projetos urbanos. O contraste entre a visão de um sistema de transporte público revolucionário e a realidade de estruturas abandonadas é um alerta sobre a necessidade de planejamento, gestão e acompanhamento rigorosos em iniciativas de infraestrutura urbana.

A situação atual do Inthegra não é apenas um problema de infraestrutura, mas também uma questão de justiça social. O acesso a um transporte público eficiente e confiável é fundamental para a qualidade de vida urbana, influenciando desde a mobilidade até a economia local. É imperativo que se busquem soluções para resgatar o projeto Inthegra, não apenas como uma questão de recuperação de investimento, mas como um compromisso com o bem-estar dos cidadãos de Teresina.

À medida que a cidade continua a crescer e a se desenvolver, o legado do Inthegra serve como um lembrete crítico da importância de alinhar visões ambiciosas com a realidade prática, garantindo que as promessas feitas à população se transformem em melhorias tangíveis na vida cotidiana.

Se essa situação também te deixa indignado, clique neste link e vamos conversar a respeito das medidas que precisam ser adotadas para evitar que tudo o que foi construído se perca. Desde já, antecipo que a solução é política e passa pelo aprimoramento dos quadros e da gestão públicos. E política se faz com críticas construtivas, respeito pela boa técnica e respeito pela realidade social.

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